segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Unwritten*

É difícil dizer quem somos. Dar tal resposta exige uma análise de tudo o que vivemos até o momento, inevitavelmente. E analisar as coisas exige um tempo considerável. Há quem responda depressa, sem pensar. Mas nem sempre essa pessoa pode acertar.
Verdade é que nem nós mesmos temos certeza de quem realmente somos. Somos movidos pelas nossas preferências, pelas lições aprendidas e pelo caráter (ou, em alguns casos, pela falta dele).
Passamos pelo menos metade de nossas vidas tentando saber quem somos. E muitos ignoram esse fato...
Não somos um perfil no orkut ou uma twitada, muito menos o que possuímos. É verdade que todos somos materialistas incorrigíveis, sempre buscando ter mais, consumir, comprar, gastar, TER. Mas no fim das contas, nem que seja por um milésimo de segundo, acabamos por perceber que não é preciso tanto. Ser supérfluo é quase essencial no mundo de hoje, porém não é necessário.
Além do materialismo existe o egoísmo, a individualidade; eu ajudo você mas só até o momento em que eu tiver que abrir mão do meu próprio conforto. Amigos amigos, negócios à parte.
Por isso, muita gente não conhece o significado da palavra altruísmo. Segundo o dicionário Priberam:

altruísmo
(francês altruisme)
s. m.
Inclinação para procurarmos obter o bem para o próximo

O bem para o PRÓXIMO. E sem expectativa de recompensas. É muito diferente ajudar alguém por força da sociedade, para um melhor convívio, e ajudar alguém por que existe satisfação e felicidade no ato.

Quem somos, no final é uma confusão de sentimentos, um tumulto, um caos organizado de forma incerta.
Somos definidos pelo o que achamos que sentimos, sem perceber que não fazemos idéia dos lugares ocultos dentro de cada um de nós; lugares que vem à tona mais cedo ou mais tarde.
Mas e se fôssemos definidos? Como seria então viver?
Existe ainda a sensação de solidão no meio de tanta bagunça, consequentemente vem a autocobrança por melhorar defeitos e é aí que está a chave: jamais seremos perfeitos, e jamais seremos completamente seguros de nossos conceitos. Há ainda muito o que explorar e com a evolução das idéias, nossos defeitos e qualidades também evoluirão e estarão presentes para que haja o equilíbrio.
Autocobrança portanto, é perda de tempo, nossos defeitos também fazem parte de nós. Não seríamos quem somos sem o nosso dark side, sem os momentos ruins, as decepções, os erros...
Se nada nem ninguém é tragicamente afetado, então não há por que endireitar os quadros tortos - sempre virá um terremoto para desviá-los novamente.

*Vídeo da música aqui

Nenhum comentário:

Powered By Blogger