Em algum lugar de Santos existe uma senhora que sabe-se lá por quê começou a se sentir no direito de me dizer o que fazer, assim, como se fosse uma pessoa íntima mesmo. Então, num certo dia, iniciou uma conversa sobre religião comigo. Estava eu ali, quieta, paradinha no balcão da papelaria, morrendo de fome e pensando se almoçaria um misto quente com coca-cola ou arroz com salada e batata frita [eram quase 11h da manhã], só esperando ela terminar o serviço que eu tinha dado à ela, quando ela iniciou uma conversa sobre Deus.
Primeiro que a pessoa estava ouvindo uma dessas rádios evangélicas, na qual o programa da vez era sobre a última reunião contra a 'peste maligna'.
Me perguntou se eu era católica, e eu respondi que não tinha uma religião certa, e que apenas acreditava em Deus, com um tom de quem não está muito animada pra falar sobre o assunto. Mas infelizmente ela não notou a minha falta de entusiasmo e disse como se fosse minha tia:
-Olha, 'cê sabe que precisa de uma religião, né?
Dei um sorriso amarelo, com a mesma cara de antes. E irritantemente ela fez o que eu temia: começou a pregar seus conceitos evangélicos, dizendo que Deus não ajuda quem não vai à igreja [ela se referia à igreja dela, certamente], e fez até uma comparação com baile funk O_o, afirmando que Deus não vai aonde ele não gosta, da mesma forma que uma pessoa que não curte funk não freqüenta um lugar onde a música toca. Eu continuava com aquela cara de 'não se meta na vida dos outros' e ela, insatisfeita com a minha resposta perguntou se eu namorava. ¬¬
Respondi que não, e que não tava muito preocupada com isso. Rapidamente ela me fez uma indicação: -'Cê sabia que existe um culto chamado Terapia do Amor?
Não, aí já era demais! Áquela hora da manhã eu só queria almoçar, ficar no meu canto, e a última coisa que eu precisava era de uma senhora evangélica intromedida tentando me arranjar namorado. Felizmente alguma coisa a distraiu e ela esqueceu desse assunto. Ela terminou o serviço, eu disse um obrigada rapidinho sem olhar em seu rosto (temendo que seu próximo passo fosse me apresentar um pretendente 'indispensável') e fui embora.
Mais tarde, alimentada e descansada comecei a pensar naquilo. Me intriga o fato de algumas pessoas serem fanáticas por suas religiões a tal ponto que se intrometa na vida alheia. Não, eu não freqüento a igreja, e daí? Vou pro inferno por causa disso? E se for, não é problema meu? Religião é algo de cada um, algo particular. Eu já tive amigos evangélicos, espíritas, católicos, umbandas, e ateus. Mas nunca tentei impor meus conceitos a eles. E alguns, como já me conheciam, me deixavam em paz com minhas crenças.
Portanto, meus caros, jamais tentem impôr seu modo de vida às pessoas à sua volta, por que nós nascemos diferentes exatamente para continuarmos diferentes, para manter o equilíbrio entre nós. Acreditar em Deus ou não é apenas mais uma característica de cada um, nada de imposições a pontos de vista que deveriam ser livres!
Infelizmente essa liberdade nos some em certos momentos.
Em 21/01/2007

Um comentário:
nossa, eu com certeza iria ou ter uma grande discussão com a pessoa, ou fazer oq você fez: não dar bola... religião é um assunto que prefiro não discutir, pelo fato de ser delicado e as opiniões serem sempre distintas... mas daí alguém estranho começar a te questionar?? fala sério... =P
bjsss
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