"Viver um dia de cada vez".
Acho que ninguém nunca pára pra realmente entender o que quer dizer essa frase. Acho que eu mesma nunca parei.
Expectativas, ansiedade, planos baseados em fatos idealizados... Começo a entender o quanto isso vai destruindo a visão do dia em que se vive. Um dia normal, mas que pode ser o começo dos melhores dias da vida. Ainda que lágrimas teimem em aparecer, teimosamene, mesmo quando o que se deseja é uma boa gargalhada. E qual o motivo de não exercer o maravilhoso ato de se divertir? Pode ser uma piada, um gesto, uma gafe, uma supresa, uma benção. Mas não gosto de esquecer da melancolia. Chorar quando se tem vontade também é uma benção. Somos imcompletos se não somos tristes. E quem é que consegue? Fingir felicidade pra si mesmo? Mentir a si prórpio é impossível. Mesmo que se diga que se pode. Fingir é nojento. Não falo daquele fingimento da hipocrisia social necessária que todo mundo deve carregar em si; falo do fingimento de alma, de enganar o próprio coração, transformando-o em algo podre e sem vida - mesmo que ele continue batendo. Impedir o conteúdo e o amor próprio de entrar na alma é viver num mundo sem cor. Só quem conhece a fundo as prórpias angústias é capaz de pintar o próprio mundo. Essa insistência absurda na felicidade constante me assusta. Não é que eu goste de ficar no escuro, mas a melancolia me é necessária tanto quanto a euforia de estar de bem com a vida. Não sei fingir que amo a vida quando tenho vontade de fugir dela, do mesmo modo como nao sei esconder quando tenho aquela luz radiante dos felizes.
Parece fácil ser despreocupado. As palavras são fáceis de dizer, não dói nem custa. Talvez por isso seja tão fácil fingir. Assim como é fácil se importar quando se está curioso, não ouvir, decodificar. Vivemos num mundo maluco, onde o altruísmo perdeu o significado e o desejo incontrolável de vencer se torna cada vez mais feroz, devorando sonhos, compaixão e paz de espírito. Nossos sentimentos e dos outros também.
Se importar apenas com o presente é tarefa para os corajosos, os destemidos, os grandes gênios da vida. Mas não custa tentar, afinal nós mesmos não sabemos até onde podemos chegar. Talvez o exercício do slow movement seja uma filosofia bem maior e mais benéfica do que parece ser. Talvez fucnione na prática. Talvez... lidar com 'talvezes' e 'quem sabes' é o meu forte. Analisar as possibilidades, juntar os fatos, rever, rever... Se eu descobrisse um filme com os fatos de que eu preciso pra decidir certas coisas, iria assisti-lo repetidamente, pra ter certeza do caminho a tomar. E viver... Depois.
* Viena, aqui

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