sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vai, passarinho, voa!

E eis que me veio a decisão: quero ganhar a vida com as palavras.
Escrever é a minha válvula de escape. Todo mundo precisa de uma, aliás. Pra espantar os demônios um pouco.
Um pouco, pois precisamos deles, afinal.
E os meus estão sempre por aqui, batendo de frente com os meus anjos. E então, no meio dessa discussão interminável do meu inconsciente, eu achei uma brecha; duas aliás: caneta e papel. Lápis também serve.
Comecei com os diários, que toda garota possui quando começa a ver o mundo como ele é. Segui com os bonitinhos, cheios de adesivos e desenhos coloridos nas páginas, ou apetrechos incrementados que, aparentemente importavam muito mais do que a própria intenção real de se ter um diário: registrar pensamentos.
Me dei conta que eu só precisava das linhas. E passei a escrever num caderno - sem datas, pra não limitar a expressão, e sem desenhos pra não desviar meu foco e ocupar meu espaço no reino dos meus sentimentos descritos pelas minhas inquietas idéias e confusos sentimentos ali declarados.
Quando pequena, eu sonhava em ser desenhista: rabiscava tudo, inventava ilustrações pras minhas histórias, adorava pintar.
Mais tarde ficava olhando a chuva e numa decisão súbita, quis ser meteorologista. Quando me lembrei que física não me animava tanto, fui ao extremo: quis ser modelo, e depois bailarina (como eu queria ter sido bailarina!). Em meio a todas essas aspirações, ia ganhando prêmios de melhor redação em concursos da escola, e ia virando frequentadora assídua das bibliotecas, devorando livros de 400 páginas em 2 dias. Quando dei por mim, meu maior hobby era ler, e cheguei bem perto das palavras então: quis ser professora. E mantive essa decisão por algum tempo.
Já adulta, ao perceber minha irritação e portanto, constatada impaciência com a idéia de, um dia ter de lidar com crianças de 15 anos, desisti: quis fazer jornalismo.
Há um tempo atrás, aprendi que não posso fazer todas essas coisas, pois seria medíocre em todas essas profissões, já que não teria tempo o bastante pra me dedicar de forma adequada, quando toda possível perfeição necessita de prática. E eu sou perfeccionista, sim senhor!
Hoje eu só quero seguir as palavras, onde elas me levarem. Escrevendo, editando, traduzindo, criticando. Qualquer coisa que me faça ler e escrever. Ler como prazer, escrever como dever. O contrário também me serve. Os dois juntos seria perfeito!
Meu ninho de pensamentos é cada vez mais cheio e barulhento, me levando a escrever de forma natural, quase que vital para o meu cérebro. Como o café que eu tomo viciosamente, todo santo dia; a cabeça dói quando o corpo sente falta.
Que escrever seja constante então! Esses pensamentos precisam aprender a bater asas... e voar.
Aqui é o primeiro passeio que eles dão no céu.
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